25/11/12

Homenagem a Zeca Afonso no Théâtre de la Ville

Concerto de homenagem a Zeca Afonso no Théâtre de la Ville em Paris no dia 21 de novembro de 2012. Com direcção musical de Júlio Pereira (mandolim, guitarra e voz), acompanhado por Miquel Vera (guitarra, voz), Marcos Alves (percussão) e Yara Gutking (piano, sintetizadores), o espectáculo conta também com a participação de João Afonso, Mayra Andrade e António Zambujo:
 

Pour José Afonso, revoir le concert live sur... por Mediapart

Fonte: Mediapart

20/11/12

Documentário sobre Luanda: Oxalá cresçam pitangas

Oxalá cresçam pitangas (2007, 62')

Dirigido por Ondjaki & Kiluanje Liberdade

Salão de Actos da Facultade de Filoloxía e Tradución
22/11/2012  - 12h 
 

Documentário dirigido pelo escritor angolano Ondjaki e pelo cineasta, também angolano Kiluanje Liberdade. 
O documentário propõe uma viagem por Luanda, independente de Portugal há mais de 30 anos. Através dos 10 personagens descobrimos ocruzamento de várias realidades e gente de todas as províncias a formar um elo com o resto do mundo. 
Em sua completude vemos formas de viver e de interpretar a cidade de Luanda.

Mais informação sobre Ondjaki e Angola:
http://estudoslusofonos.blogspot.com.es/search/label/Ondjaki



Mais informação sobre o filme:
http://www.marfilmes.com/pt/africadocs/oxala+crescam+pitangas.htm

26/10/12

Moçambique em Conferência

Na quinta-feira, dia 8 de Novembro, o professor moçambicano Gervásio Absolone Chambo
dará, no 'Salón de Actos' da Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo (12:00 horas), uma conferência sobre:

"Mosaico Etno-Cultural e Linguístico de Moçambique".


Outras temas moçambicanos neste blogue:

Veja também:



Organizado pelo Departamento de Filologia Galega e Latina da Universidade de Vigo.

16/10/12

Conferência de Judivan J. Vieira

No día, 13 de novembro, ás 17:00h, terá lugar no Salón de Graos da Facultade de Filoloxía e Tradución da Universidade de Vigo a conferencia do autor e investigador brasileiro  Judivan J. Vieira sobre: 
"A muller, a democracia formal e a fórmula da desigualdade"


A conferencia tratará os seguintes aspectos: O papel da muller na formación cultural brasileira:o papel da arte, das telenovelas. O machismo e súa influencia na literatura brasileira (escolas literarias: os conquistadores, o barroco, o arcadismo, o romanticismo, o realismo, o parnasianismo,o simbolismo,o pre- modernismo,o modernismo,a poesía moderna, a literatura contemporánea). O machismo e a súa influencia na música brasileira. Perspectivas futuras para o papel simétrico nas relacións home e muller, no Brasil e en Portugal. Democracia formal, a fórmula da desigualdade no Brasil e en Portugal.

Nota biográfica:
Judivan J. Vieira é Procurador Federal da Procuradoria-Xeral Federal en Brasilia-DF, posgraduado en política e estratexia pola UnB/Adesg e doutorado en Ciencias Xurídicas e Sociais pola Universidad Del Museo Social, Buenos Aires, Arxentina. É autor de libros xurídicos, de auto-axuda e contos. Destacamos a obra La mujer y su lucha épica contra el machismo, publicada en español, e a novela de ficción e espionaxe O Gestor, o Político e o Ladrão.

03/10/12

José Rodrigues Miguéis

"José Rodrigues Miguéis, uma apresentação sumária do autor e da obra"

Escritor português (Lisboa, 1901 - Nova Iorque, 1980). Filho de Maria Adelaide Rodrigues, natural de Góis, Beira Alta e de Manuel Maria Miguéis Pombo, natural de Santiago de Borbén, província de Pontevedra. Licenciado em Direito (Lisboa, 1924) e em Ciências Pedagógicas (Bruxelas, 1933). Foi temporariamente advogado, delegado do Ministério Público e professor do ensino secundário. 
Atento à imprensa periódica, colaborador d’A República e da Seara Nova, dirige o semanário O Globo (1933) com Bento Caraça e envolve-se em movimentos de intervenção cívica democrática. Vendo o seu nome censurado nos jornais, vai em 1935 para os EUA, onde acabará por se fixar e viver a maior parte da sua vida. A partir de 1942, e durante cerca de dez anos, exerce funções de Assistant Editor das Seleções do Reader’s Digest. Colabora regularmente na imprensa de Lisboa, dedicando-se também à tradução de grandes autores como Stendhal, Carson McCullers, Erskine Caldwell, F. Scott Fitzgerald. 
A obra de José Rodrigues Miguéis configura-se predominantemente ao nível da ficção narrativa e da crónica-ensaio. Coetânea do presencismo e do neo-realismo, é relativamente independente do cânone rígido daqueles movimentos, situando-se numa zona de interseção entre ambos, gerando sínteses originais. Leitor atento de Camilo e de Eça, revela-se mestre da ironia e do humor, problematizando as contradições sociais, analisando o sujeito individualmente considerado, não raro em situação limite de amargura e de perda, mas também em busca de identidade, oscilando entre o regresso como forma de esperança e a fuga como expressão de desistência, a que não é alheia a herança de Raul Brandão. São em número de seis os romances de JRM: 

24/09/12

Manifestação de 21 setembro em Portugal

Na manifestação de 21 de setembro, em frente do Palácio de Belém, cantou-se, também, "Grândola, vila morena":



23/09/12

"Acordai": 21 de setembro de 2012

Na concentração/vigília de 21 de Setembro de 2012, um grupo coral criado nos dias anteriores cantou "Acordai" (com música de Fernando Lopes-Graça e letra de José Gomes Ferreira):






03/06/12

Ondjaki: "O Primeiro Angolego"

No dia 1 de fevereiro de 2012, o escritor angolano Ondjaki deu uma conferência na Universidade de Vigo, organizada pelo grupo de pesquisa GAELT. A gravação deste evento, realizada pela UVigo TV, está agora disponível. Nesta conferência, Ondjaki destacou a sua boa relação com a Galiza e identificou-se como o primeiro "Angolego".

 Apresentação de Ondjaki pela profa. Mônica Heloane Carvalho de Sant'Anna da Universidade de Vigo:




Ondjaki: "Literatura angolana hoje"




 Sessão de perguntas:

22/04/12

João Salaviza: "Arena"

João Salaviza é um jovem realizador português de curta-metragens, que venceu em Fevereiro, com "Rafa", o Urso de Ouro no Festival de Berlim.
Aqui poderão ver "Arena", a primeira curta-metragem que realizou e que foi galardoada com a Palma de Ouro (para curtas) em Cannes (2009). 
"Arena" é um filme contemplativo, minimalista e rico em densidade e realismo emocionais. Exploram-se temas como a violência juvenil urbana e o contraste entre a monotonia da vida suburbana e o vislumbre de uma liberdade inalcançável.

17/04/12

Performance poética: Márcio-Andrê


Hoje, terça-feira, dia 17 de Abril terá lugar na Fundação Laxeiro em Vigo (R. Policarpo Sanz, 15) uma performance do escritor e compositor brasileiro Márcio-André. Participante da chamada “Geração 00”, Márcio-André tem sido considerado um dos mais relevantes[11][12] poetas e ensaístas das novas gerações no Brasil. 

Em http://www.marcioandre.com/ pode ser consultada mais informação sobre a trajectória do artista, além de entrevistas, textos variados e vídeo-poemas como este:


O seguinte vídeo mostra fragmentos da leitura do poema-peça "O objeto: In-di-vi-sível (polifonia para violino e processamento eletrônico)" por Márcio-André, apresentada no CEP 20.000 (Teatro Sérgio Porto - 12-agosto-2008,  vídeo de Daniel Zarvos):

16/04/12

Bernardo Santareno: "O Judeu"

Bernardo Santareno (1920-1980), pseudónimo de António Martinho do Rosário, nasceu em Santarém e faleceu em Lisboa. Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra, tendo-se especializado em psiquiatria.
É considerado um dos maiores dramaturgos portugueses do século XX, cuja obra se costuma dividir em dois ciclos: No primeiro, domina a reivindicação do direito à diferença e do respeito pela liberdade e dignidade do ser humano face a todas as formas de opressão e preconceitos morais e sociais da época, enquanto o segundo se caracteriza por um tipo de teatro mais interventivo no processo de transformação da sociedade até à queda do regime fascista e que se dirige contra todo o tipo de discriminação, política, racial, económica, sexual ou outra.
Peças integrantes do primeiro ciclo: A Promessa, O Bailarino e A Excomungada, publicadas conjuntamente em 1957; O Lugre e O Crime de Aldeia Velha, 1959; António Marinheiro ou o Édipo de Alfama, 1960; Os Anjos e o Sangue, O Duelo e O Pecado de João Agonia, 1961; Anunciação, 1962.
Segundo ciclo: Inicia-se a partir de 1966, com a "narrativa dramática" O Judeu, seguido de O Inferno (1967), A Traição do Padre Martinho (1969) e Português, Escritor. O drama autobiográfico 45 Anos de Idade (1974) seria o primeiro original português a estrear-se depois da revolução. Mais tarde publica ainda Os Marginais e a Revolução (1979).
Santareno publicou não só textos dramáticos, como também poesia e prosa, tendo sido distinguido três vezes com o Prémio Imprensa.

O Judeu é uma narrativa dramática em 3 actos, publicada em 1966 e estreada em 1981 no D. Maria II, com encenação de Rogério Paulo. Generalizadamente considerada como uma obra maior de todo o teatro português, retrata o calvário do dramaturgo setecentista António José da Silva, queimado pelo Santo Ofício em 1739. António José da Silva, autor de comédias e óperas, nasceu em 1705 e ganhou popularidade com o teatro de bonifrates, uma imitação jocosa da ópera italiana muito popular na época. O carácter satírico das suas peças irritou um Santo Ofício dedicado a combater o Iluminismo e o racionalismo com autos de fé, aos quais o povo fantizado assistia como a um espetáculo.
A peça começa com um António José da Silva, filho de judeus e cristão-novo, com 21 anos de idade e estudante de Direito, a viver com receio de ser torturado e encarcerado pela Inquisição, algo que acontece logo no início da obra, com um auto-de-fé, onde o protagonista, sua mãe, Lourença Coutinho, e outras pessoas ouvem o seu julgamento e os insultos do povo. Será um auto de fé no qual destaca a retórica manipulatória do sermão do sacerdote convidado. Esta manipulação e intolerância caracterizam um Portugal obscurantista, o qual, ao longo da peça, será ironizado e criticado pelo Cavaleiro de Oliveira, um escritor português que se refugiara no estrangeiro para fugir à Inquisição e que tem a função de narrador-comentador. Esta personagem estabelece a ligação com o público e até invoca diretamente o público português do momento como "sombras fugidias da esperança e do temor". O Cavaleiro defende constantemente a inocência de António e critica a situação do país:

“Que Portugal seja um relógio, em muitos anos atrasado da hora que segue a Europa civilizada […] Quando toda a Europa esquecendo vai já o repugnante pesadelo dos autos-de-fé, quando mesmo a vizinha Espanha cuida de os espaçar e esconder…Portugal lança-os aos olhos horrorizados do mundo […] Protesto! Porque à Inquisição se deve o empobrecimento do Reino; porque, para subsistir, o Santo Ofício inventa judeus como outros fabricam moeda…!” 

O carácter de processo, assim como os jogos de luz e sombra e o recurso a gravações e projeções pretendem produzir um efeito de distanciação do público, seguindo a matriz do teatro épico (cf. também este link) de Bertolt Brecht. A intenção é mostrar a proximidade entre os valores e as crenças do tempo dos autos de fé e aqueles da sociedade do Estado Novo, o que sublinham as semelhanças físicas e linguísticas entre Salazar e algumas personagens, como o Inquisidor-Mor, a presença da PIDE, representada pelo Estudante Pálido ou o presságio do Holocausto através do sonho profético de Lourença, mãe de António José.
Quando o Estudante Pálido fita António José da Silva de um forma cruel e intensa, causando-lhe terror e insegurança, o Cavaleiro de Oliveira traça uma comparação indirecta entre o clima de terror e medo da Inquisição e da repressão salazarista:

"(Com desgosto e revolta), Medo. O mesmo medo que enruga a mais pura alegria, que gera cobras na cama dos amantes, que deita neve nos mais negros cabelos, que seca o leite no peito das mães… No meu país quem governa é o medo! Os olhos e os ouvidos do medo crescem e multiplicam-se por toda a parte: Nem o pai, nem a mãe, nem a esposa,nem o irmão servem de porto abrigado; armadilhas de traição eles podem ser também. Em Portugal, as varejeiras do medo por toda a banda voam e em todas as cousas, vivas e mortas, de imprevisto pousam. Muitas, muitíssimas são; sem conto, realmente. As nojentas, as ardilosas, as pestíferas varejeiras do medo!
(Aponta enérgico para o sítio do palco onde o Estudante Pálido, meio oculto entre as pregas da cortina de fundo, aparece espiando o Judeu:)
Espião miserável, varejeira maldita!!
(O Estudante Pálido, como uma sombra, logo desaparece.)
Conhecem-se pelo fedor a podre, pela luz assassina dos olhos…
(Levanta-se com ímpeto; escarninho, desesperado:)
Na Europa civilizada, Portugal é a fortaleza do Medo; espiões e polícias, os seus alicerces e guarda!"

No final da peça, depois da imolação de António José pelo fogo, o Cavaleiro de Oliveira grita «Iluminai o Povo de Portugal!». Ao reclamar que só um povo esclarecido será capaz de combater as atrocidades que se repetem ao longo dos tempos, o Cavaleiro de Oliveira culmina a preocupação didática da peça.



Material sobre vida e obra de António José da Silva:


Seleção de bibliografia sobre O Judeu:

BARATA, José Oliveira: Para uma leitura de O Judeu, de Bernardo Santareno. Porto: Contraponto 1983.
BOTTON, Fernanda Verdasca: “O drama que exige ação: o teatro político de Bernardo Santareno”, in Travessias 2008.
COELHO, Maria da Conceiçao; AZINHEIRA, Maria Teresa: O judeu [de] Bernardo Santareno. Mem Martins: Europa América 1995.
DELILLE, Maria Manuela Gouveia: “O judeu de Bernardo Santareno: suas relações com o teatro épico de Bertolt Brecht e com o teatro de Peter Weiss”, in Runa: revista portuguesa de estudos germanísticos, nº 2, 1984, pp. 53-76.
MEDEIROS, Ana Paula: Do teatro em Bernardo Santareno. Tese mestrado em Literatura Portuguesa, Universidade de Coimbra, 1996.
SOARES, Etelvina Maria de Jesus: O trágico em Bernardo Santareno. Tese mestrado em Literatura Portuguesa, Universidade de Coimbra, 1996.

09/04/12

Almada Negreiros: "Nome de Guerra"

Nome de guerra, romance de aprendizagem (Bildungsroman) de Almada Negreiros, foi escrito em 1925 e publicado em 1938. Para Eduardo Prado Coelho, inaugura “na nossa literatura um modelo de ficção-reflexão” (1970: 35) que só na segunda parte do século terá continuidade. 

Em termos de construção narrativa, o romance representa a luta entre a personalidade do indivíduo e as normas da sociedade por adquirir uma certa autonomia. Antunes, o neófito, rebela-se contra os padrões sociais: "amava a verdade acima de tudo", "quem pensa sozinho não quer senão a verdade, as justificações são por causa dos outros". 

O problema começa com a tentativa dos pais, da sociedade e dos modelos culturais e psicológicos de exercer a sua influência sobre o destino do protagonista: "É sempre assim, temos sempre que perder o nosso tempo em desfazer o bem que os outros fizeram por nós". 

Dá-se uma menage à trois (constelação amorosa triangular) estereotípica entre o protagonista uma menina da aldeia (Maria), que o ama sem restrição e a meretriz da cidade (Judite), que desemboca numa situação inesperadamente complexa. Os estereótipos da mulher-anjo (Maria) e da mulher-demónio (Judite) reflectem-se no não menos convencional binómio cidade/campo, opondo a namorada da província à prostituta da cidade. Mas a morte de Maria não será justificada com o facto de o Antunes não responder ao seu amor: a questão da culpa não tem importância neste romance. Isto fica evidente com o facto de as instituições sociais (médicos, igreja), que o Antunes consulta para solucionar os seus problemas, não lhe oferecerem soluções. Também Judite passa por um processo da procura do eu, da própria personalidade, devido ao qual regressa à vida, contrariando as convenções, embora o resultado deste processo fique aberto no final. Representa-se o absurdo dos comportamentos institucionalizados na sociedade e a forma como podem ferir a personalidade do indivíduo.

O amor passa a ser um problema ou um fenómeno dentro da personalidade do indivíduo e é observado no seu lugar do origem, no sujeito, e só depois no seu objecto, a pessoa amada. A justificação é o argumento que o amor sem autonomia pessoal e de carácter representa um engano: "O desequilíbrio era para os dois lados: a Maria e a Judite eram ambas o mesmo erro!", "ninguém pode saber o que se passa connosco até à chegada da nossa consciência". Descreve-se, também, a condição da prostituta em 1925, com meras alusões, sem voyeurismo. Destaca-se, também, sem sentimentalismos, a enorme capacidade de sobrevivência da Judite neste meio social. 

Procura-se dissolver a dicotomia dos valores ‘masculinos’ e marialvas (D. Jorge) e ‘femininos’, embora sempre desde uma definição androcêntrica, típica da época, e que, ao final, também serão representados pelo Antunes. 

A "simplicidade extremamente sofisticada" (Jorge de Sena) da linguagem narrativa e o seu tratamento inovador do amor poderiam ter revolucionado a prosa portuguesa com a sua tradicional dependência do academismo. Porém, o romance não chegou a ter um êxito comparável, por exemplo, à Macunaíma de Mário de Andrade no Brasil, que transformou a prosa literária brasileira. A tendência geral de a burguesia portuguesa de princípios do século XX não ter questionado os modelos culturais e morais pode ter contribuído à dificuldade dos escritores de inovar os estilos e certos tratamentos temáticos.

Alguma bibliografia sobre Nome de Guerra:

Aguiar e Silva, Vítor Manuel de (1994), “Nome de guerra, romance de educação”, in Homenagem a Lúcio Craveiro da Silva, Braga, Centro de Estudos Humanísticos/Universidade do Minho, pp. 403-412.
Alçada Baptista, António (1986), “Nome de guerra, ou um outro amor em Portugal” in Almada Negreiros, José de (1986), Nome de guerra, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, pp. 11-22.
Ceia, Carlos (2003), “A construção do romance experimental modernista: Ulysses (1922), de James Joyce, e Nome de Guerra (1938), de Almada Negreiros” in Estudos angloportugueses. Livro de homenagem a Maria Leonor Machado de Sousa, Lisboa, Colibri, pp. 127-147.
Loureiro, La Salette (1996), A cidade em autores do primeiro modernismo. Pessoa, Almada e Sá-Carneiro, Lisboa, Estampa.
Lourenço, Eduardo (1966), “Uma literatura desenvolta ou os filhos de Álvaro de Campos” in O tempo e o modo. Revista de pensamento e acção, nº 42, pp. 923-935 [ed. ut.: 2003, O tempo e o modo. Revista de pensamento e acção. Uma antologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian].
Maia, João Domingues (1995), “Genealogia de um Nome de Guerra”, in Revista Augustus, Rio de Janeiro: Sociedade Unificada de Ensino Superior Augusto Motta. V.01, N. 1. Disponível on-line: <http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/ensaio42.htm> (último acesso: 9/4/2012).
Martinez, Maria Ester (1983), “Nome de guerra: una novela de tesis”, in Nova Renascença, Vol. III, pp. 161-166.
Mourão-Ferreira, David (1964), “«Nome de Guerra»” [ed. ut.: 1966, in Hospital das letras, Lisboa, Guimarães Editores, pp. 199-205].
Prado Coelho, Eduardo (1970), “Sobre «Nome de Guerra»” in Colóquio/Letras, nº 60, pp. 35-38.
Régio, José (1938), “Nome de guerra, romance por José de Almada Negreiros. Colecção de autores modernos portugueses. Edições Europa, Lisboa” in Presença, Ano 11, Vol. 3º, nº 53-54, pp. 26-27 [ed. ut.: 1993, Presença. Edição facsimilada compacta, Tomo III, Lisboa, Contexto].
Ribeiro, Ana Maria Silva (2006), Aprender com as mulheres : presenças do feminino no romance de aprendizagem português do século XX, tese de doutoramento, disponível on-line: <http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/5642> (último acesso 9/4/2012).
Sapega, Ellen W. (1992), Ficções modernistas. Um estudo da obra em prosa de José de Almada Negreiros 1915-1925, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa.
Silva, Celina (1994), Almada Negreiros. A busca de uma poética da ingenuidade, Porto, Fundação Engenheiro António de Almeida.
___________ (1997), “A escrita em Almada ou uma busca-conquista” in Sentido que a vida faz, Porto, Campo das Letras, pp. 441-447.

Para ver algumas adaptações do romance e uma entrevista com Almada, dique em "Ler mais".

05/04/12

(Des)Acordo Ortográfico e outros (des)encontros essencialistas

O debate sobre o Acordo Ortográfico continua a ser um elemento de divisão na sociedade portuguesa e nas culturas lusófonas em geral. Já oferecemos alguns elementos do argumentário, tanto neste blogue como no nosso site em facebook. Acaba de ser publicada, uma carta dirigida ao ministro da Educação e Ciência, na qual uma mãe portuguesa reuniu boa parte dos argumentos jurídicos e culturais que se evocaram, até ao momento, contra o Acordo que está a ser ensinado nas escolas. Alguns são importantes, outros mais precários. Entre estes últimos, figura uma citação de Fernando Pessoa:

"a) Fernando Pessoa, sobre a reforma de 1911, escreveu: "A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito. [...]" (in "Pessoa Inédito"; Lisboa: Livros Horizonte, 1993)"

Neste contexto, há um certo perigo no aproveitamento de afirmações pessoanas (inevitavelmente estéticas, heteronímicas) sobre a língua portuguesa, a ortografia ou o universalismo da cultura portuguesa. Assim, em sentido restrito, desta citação só poderíamos deduzir um apelo ao individualismo anarquista em relação à ortografia, com as correspondentes consequências problemáticas (para o ensino, por exemplo). O argumento da autora torna-se, no entanto, ainda mais precário quando continua a afirmar que
 
"b) Escrita e oralidade são meios autónomos e complementares de manifestação do saber linguístico, em cada idioma. A importância da língua escrita (e da sua norma gráfica) é tanto maior quanto mais complexa e "textualizada" for a vida e a memória de uma sociedade, de uma cultura. A ortografia é garantia incontornável da estabilidade da língua escrita como elemento-chave da identidade nacional, visto que assegura em si mesma a inteligibilidade e a continuidade na transmissão do acervo histórico-cultural, da memória colectiva, de geração em geração, e é além disso portadora de uma simbólica e uma poética próprias, cuja delicada subtileza e riqueza se relacionam intimamente com a antiguidade da língua em apreço e com todo o património literário que lhe está associado."

Elevar a ortografia a "elemento-chave da identidade nacional", por muito questionável que o Acordo Ortográfico possa ser em termos jurídicos ou linguístico-culturais, ou é um excesso essencialista ou um mau uso de essencialismo estratégico. Nem a ortografia nem a própria língua seriam, em termos de diacronia, indispensáveis para a conformação e manutenção de uma identidade cultural. As diferenças nas falas e escritas (e não só das literárias) das variantes do português no espaço lusófono, em contínua evolução desde há séculos, são uma evidência. Por isso, nem seria preciso instituir uma forma ortográfica comum para que os vínculos linguístico-culturais permaneçam, nem seria imprescindível que cada estado lusófono mantivesse uma postura conservadora em relação à ortografia da sua variante. Em todo o caso, as variantes linguísticas e culturais da Lusofonia só se enriquecerão mutuamente na medida em que se desvinculam dos essencialismos históricos.

20/03/12

Álvaro de Campos: "Tabacaria", declamações e encenações

Algumas declamações e encenações de um dos poemas mais emblemáticos de Fernando Pessoa / Álvaro de Campos. A "Tabacaria", escrita em 1928, foi publicada em 1933 na Presença.

Mário Viegas




14/03/12

Fred Martins: "Samba e outras bossas, poesia cantada brasileira"

O cantor e compositor fluminense Fred Martins falará e cantará na próxima quarta-feira, dia 21 de Março, na Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo ("Sala de Graos", 12:00 horas), em relação com o tema: 
"Samba e outras bossas, poesia cantada brasileira".

Fred Martins tem um repertório variado e muito relacionado com a tradição musical do artesanato da canção no Brasil, dialogando com o samba e a bossa nova, e também misturando elementos do rock e de outros estilos musicais. Recebeu o último Prêmio Visa de Música Brasileira.

A sua relação com a tradição musical brasileira afiançou-se com o trabalho de transcrição de partituras para alguns dos mais famosos Songbooks produzidos por Almir Chediak entre eles os de Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Noel Rosa, João Bosco, Caetano Veloso entre outros. Este vídeo é uma versão de "Tempo afora" do disco homónimo de 2008:


Até agora, Fred Martins publicou quatro discos: Janelas (2001), Raro e comum (2005), Tempo Afora, CD e DVD (2008), Guanabara (2009). Acaba de lançar o trabalho Acrobata em dupla com
Ugia Pedreira (Galiza).
Participou nos festivais internacionais Músicas Portuárias, Cantos na Maré, Festival Jawhara (Marrocos), entre outros eventos.
Actualmente participa como compositor e intérprete no espectáculo de María Pagés, Utopia inspirado em Óscar Niemeyer.
 Mais informação:
"Tempo Afora" (DVD Tempo Afora - Canal Brasil):

07/03/12

Ricardo Reis: Materiais


Na célebre carta a Adolfo Casais Monteiro de 1935, Fernando Pessoa caracteriza Ricardo Reis da seguinte forma: 
"[...] nasceu em 1887 [...], no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. [...] Um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte [que caeiro], mais seco. [...] De um vago moreno mate. [...] Educado num colégio de jesuítas, é como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-hellenista por educação própria." 
Ainda segundo o seu criador, Ricardo Reis terá sido educado num colégio de jesuítas, tendo recebido uma educação clássica (latina) e estudado, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). 
A sua formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que o Pessoa-ipse considerava exagerado. Era médico, no entanto, não exercia a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Como pagão intelectual, lúcido e consciente demonstra uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior. Representa uma resposta possível do ser humano ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida.
A obra de RR consiste em 250 odes, das quais aproximadamente 30 se publicaram nas revistas Athena e Presença ainda em vida de Pessoa. Reis interpreta o neo-paganismo do seu mestre de maneira mais metafísica.
Em relação às tarefas que Pessoa atribui aos heterónimos, Caeiro devia realizar a "Reconstrução da sensibilidade pagã" e Reis a "Reconstrução da estética pagã"; enquanto António Mora seria o responsável da "Theoria geral do paganismo novo" e da "contra-these à «Critica da Razão Pura» de Kant, e tentativa de reconstruir o Objectivismo Pagão", ou seja, do "neoclassicismo «scientifico»", no qual "a Sciencia substituirá a religião". 
A função de Reis na heteronímia contraria, assim, o primado visual de Caeiro, o seu materialismo de pura representação: "a propia sensualidade com a sua animalidade directa devem ser excluidas da arte. Essas coisas não são arte: são vida. A arte deve dar o material, mas tornado immaterial". 
Por isso, Reis critica Cesário Verde, o único poeta venerado por Caeiro: "O verso de Cesario. Isso é photographico, não pictural. E a photographia não é arte porque reproduz exactamente a materia. Só é arte pela escolha (do assumpto, da posição, etc.) porque a arte é escolha". 
Reis é anti-moderno em termos estéticos e céptico e contraditório no que diz respeito ao neo-paganismo: "Ao pagão moderno, exilado e casual no meio de uma civilização inimiga, só pode convir uma das duas formas últimas da especulação pagã - ou o estoicismo, ou o epicurismo".
Afirmou, também, que: "O paganismo morreu. O cristianismo, que por decadência e degeneração descende dele, substituiu-[o] definitivamente. Está envenenada para sempre a alma humana." 
Reis não respeita a exigência horaciana que a poesia devia ter uma utilidade para a vida: "O que sentimos verdade dentro de nós, traduzimos para a palavra, escrevendo os nossos versos sem olhar aquilo a que se destinam". E: "Um poema é a projecção de uma ideia em Palavras através da emoção. A emoção não é a base da poesia: é tão-sòmente o meio de que a ideia se serve para se reduzir a palavras". Álvaro de Campos considera que esta subordinação da linguagem lírica ao pensamento é a essência da poética de Reis.

Mais informação sobre Ricardo Reis e declamações das suas odes podem ser encontradas em MultiPessoa.
Uma boa informação geral, uma selecção de textos e exercícios (nível 12º ano) estão disponíveis em Lusofonia - Plataforma de apoio ao estudo da língua portuguesa.
A Wikipédia oferece, também, uma síntese bastante aceitável da sua obra.
Os textos de boa parte das odes estão disponíveis no Arquivo Pessoa.
Alguns exemplos de intertextualidade / recepção de Ricardo Reis na literatura portuguesa podem ser encontrados aqui.
Uma análise completa da obra do heterónimo por  Maria Helena Nery Garcez, O tabuleiro antigo: uma leitura do heterônimo Ricardo Reis (São Paulo: Universidade de São Paulo 1990), pode ser lida aqui.
Para ouvir uma declamação da ode "Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia..." por Luís Gaspar dique em "Ler mais...".

01/03/12

Pichação a debate

Recentemente, a New York Times ocupou-se do tema da pichação em São Paulo e obteve grande eco, não só no Brasil.
No Brasil, pichação refere-se ao acto de escrever ou rabiscar sobre muros, asfalto de ruas ou, até, sobre monumentos, usando tinta em spray aerosol, dificilmente removível, ou outras. Trata-se, de uma forma geral, de frases de protesto ou insulto, assinaturas pessoais ou mesmo declarações de amor, embora a pichação seja também utilizada como forma de demarcação de territórios entre grupos rivais. Distingue-se do grafite, uma outra forma de inscrição ou desenho, tida como artística, embora o termo graffiti costuma significar, noutras línguas, como a inglesa, formas de expressão mais ou menos artísticas. 
A pichação costuma ser fortemente criticada como acto de vandalismo, enquanto algumas vozes defendem o seu valor artístico e as suas mensagens porque as consideram uma expressão de protesta num contexto urbano com grandes problemas sociais. 
Dique em "Ler mais" para ver o trailer e um excerto do documentário Pixo de João Weiner, que retrata a vida do ex-pichador Djan Ivson e que também contém imagens da invasão de pichadores na Bienal de Arte de São Paulo em 2008 onde 'picharam' obras de arte para protestar contra a arte mainstream.

25/02/12

23/02/12

Zeca Afonso: 25 anos após a sua morte

Para assinalar os 25 anos da morte de Zeca Afonso reproduzimos este vídeo da Gala homenagem a Zeca Afonso, co-produzida pola TVG (Televisão da Galiza) e a RTP (Rádio Televisão Portuguesa) para o 25 de abril de 2007:



15/02/12

Augusto de Campos em entrevista

Uma interessantíssima entrevista com o grande poeta concretista brasileiro Augusto de Campos, realizada por Marina Correa da Universidade de Viena, foi publicada em www.ubu.com

Nela, um dos maiores protagonistas do concretismo brasileiro oferece uma síntese da história do movimento e da sua própria obra. 
A não perder. 


Augusto de Campos, "Pulsar" (1975, música de Caetano Veloso)



09/02/12

Pessoa(s) em exposição

Do 10 de Fevereiro até ao 30 de Abril de 2012, uma exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, organizada pelo Museu da Língua Portuguesa do Brasil, vem agora à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (mais informação aqui):

07/02/12

"O acordo ortográfico é um aleijão"

O blogue Estudos Lusófonos tem resistido, até ao momento, à implementação do acordo ortográfico. Algum dia há-de claudicar, ainda que seja só por causa das necessidades didácticas do ensino de língua portuguesa. Por enquanto, aderimos ao que disse o professor Paulo Franchetti, director da editora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), numa entrevista dada ao blogue Tantas Páginas (CLP, Universidade de Coimbra) sobre o "abstruso" acordo:
 
PF. O acordo ortográfico é um aleijão. Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa, é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaïss, por exemplo, adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaïss – Antônio Houaïss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os que elaboram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes, obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias, adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos) do acordo.

[Convém acrescentar que o negócio da Porto Editora também não era lá pouca coisa.]

05/02/12

"Ode Marítima": declamação e encenação


A seguir, apresentamos uma selecção de declamações e encenações (tanto fílmicas como teatrais) da "Ode marítima" de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, além do texto da ode e alguma informação adicional.

Se calhar a melhor declamação seja a do actor João Grosso.

Foi editada em disco pela Presença em 1995.

Pode ser ouvida ou através da Fonoteca Municipal de Lisboa ou a partir da lista que apresentamos abaixo (dicar em 'Ler mais').

02/02/12

O Português procede do Galego

No penúltimo número de Grial - Revista Galega de Cultura (191, 2011, 34-39), o linguista e professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno, publicou um artigo que é capaz de se transformar em referência de uma nova perspectiva sobre a história e a actualidade das variantes lusófonas: "O Português não procede do Latim: Uma proposta de classificação das línguas derivadas do galego" (cf. infra). É absolutamente destacável que um linguista brasileiro tome partido de uma ideia que desde há algum tempo deambula pelas margens da linguística, embora ainda haja poucas/os académicos que se atrevem a defendê-la em público: Que a denominação "galego-português" é um anacronismo insustentável que deve ser abolido. A evidência histórica de que as as actuais variantes lusófonas são filhas do galego requer, também,  uma reavaliação do debate em torno da Lusofonia (cf. "Galiza e a Lusofonia", 2010).
Porém, para evitar outro anacronismo, Bagno devia ter explicitado que a origem das variantes galega e portuguesas actuais procedem de um 'galego antigo', diferente do actual, mas que, em todo o caso, já tinha sido denominado como 'língua galega' na Idade Média. Tanto o seu resumo claro e conciso das argumentações histórica e linguística, como também a sua proposta de classificação das variantes lusófonas actuais (o grupo "portugalego", como propõe denominá-las, cf. imagem supra) deviam ser tomadas como base do ensino de língua e literatura lusófonas na actualidade. Para ler o artigo dique aqui:

Fernando Pessoa: Documentários

A seguir apresentamos três documentários e dois depoimentos (de António Quadros e Almada Negreiros) sobre Fernando Pessoa.

Sofia Trigo (2011):


DOCUMENTÁRIO "Pessoas" from Sofia Trigo on Vimeo.

Para ver mais, dique aqui:

26/01/12

Ondjaki: “O drama é vizinho, todos os dias, da alegria”

Na próxima quarta-feira, dia 1 de fevereiro, o escritor angolano Ondjaki visitará a Universidade de Vigo para falar da literatura angolana actual e da sua própria obra. O acto, organizado pelo grupo de investigação GAELT, terá lugar na aula A7 da Faculdade de Filologia e Tradução a partir das 12:00 horas.
Ondjaki é uma das novas vozes angolanas mais divulgadas e traduzidas do momento. Recebeu em 2007 o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco pelo seu livro Os da Minha Rua e, em 2008, o prémio Grinzane para o melhor escritor africano do ano. Em 2010, foi-lhe outorgado o prestigioso prémio brasileiro Jabuti para o seu romance AvóDezanove e o Segredo do Soviético
Mais informações sobre o autor e sua obra, além de textos de poesia e prosa, podem ser encontradas aqui e aqui. A seguir, encontrarão uma entrevista inédita com Ondjaki, dois vídeos com entrevistas de 2009 e de 2011, além de vários links para estudos académicos e mais material audiovisual.

14/01/12

Osso vaidoso: "Animal"

Osso vaidoso, composto por Ana Deus (ex-Ban) e Alexandre Soares (ex-GNR), publicaram com Animal um dos mais interessantes CDs portugueses do 2011. Trabalham com textos próprios mas também se apoiam em poesia contemporânea de Regina Guimarães, Alberto Pimenta ("Cola Cola Song" e "Ni nha rias") ou valter hugo mãe ("Poligamia").
Em 1996 a mesma dupla foi responsável pelo histórico álbum de estreia Partes Sensíveis (1993), quando integravam a banda Três Tristes Tigres. Naquele álbum estava o cativante tema “O Mundo A Meus Pés”. 
Vídeo da canção "Animal":


Animal - Osso Vaidoso from raquel castro on Vimeo.


Versão ao vivo de "Ni nha rias" sobre um texto de Alberto Pimenta:



Mais canções podem ser ouvidas aqui (com letras).
ComScoreMais vídeos aqui.

08/01/12

Isabela Figueiredo: Caderno de Memórias Coloniais

O Caderno de Memórias Coloniais, da escritora e bloguista Isabela Figueiredo, tem-se convertido, nos últimos anos, num dos acontecimentos literários mais importantes em Portugal. Para a revista Ípsilon, suplemento cultural do diário O Público, foi um dos livros do ano 2009 e que, agora, já vai na 5.ª edição. Os 43 textos que compõem o Caderno (seguidos por uma “adenda” e uma entrevista) representam, num tono autobiográfico, cenas de uma infância nos arrabaldes de Lourenço Marques, o que hoje em dia é Maputo, a capital de Moçambique. Parcialmente, estas memórias foram compiladas a partir do blogue "O Mundo Perfeito", criado pela autora em 2005, e que, inicialmente, estava encabeçado por uma epígrafe da poeta galega Lupe Gómez. Este blogue foi reconvertido, em 2009, a outro chamado "Novo Mundo". O impacto do Caderno de Memórias Coloniais, e o seu extraordinário destaque junto da crítica, deve-se ao facto de atentar contra o que se poderia chamar a visão paradisíaca ou, pelomenos, suavizada, que uma parte da sociedade portuguesa continua a cultivar no que diz respeito ao período colonial.
Este discurso cor-de-rosa está presente, ainda, na academia e no ensino. Se abrirmos, hoje, um compêndio de história de referência, como a História de Portugal, dirigida por José Mattoso, ou de grande divulgação sobre os Descobrimentos, como Originalidade da Expansão Portuguesa por Orlando Ribeiro, não encontraremos muitos relatos de perspectivas críticas sobre o colonialismo português nem muita informação sobre racismo, crimes de guerra ou as peculiaridades da sociedade colonial, sobre como se tratava a população autóctone, como eram as famílias fundadoras do sistema colonial, as histórias íntimas dos altos funcionários do regime ou dos militares que optaram por ficar lá depois do 25 de de Abril. Dentro e fora de Portugal continua a cultivar-se o discurso de um colonialismo mais brando e suave em comparação com os outros impérios, geralmente disfarçado da sua capacidade de mestiçagem de raças e de transferência intercultural. Os Anos da Guerra (1988), organizado por João de Melo, que combina uma antologia de textos literários sobre a experiência da guerra colonial com uma análise historiográfica crítica, representa uma excepção, enquanto outros, que se mostram abertamente críticos com a história da expansão portuguesa, como Ministros da Noite (1992) de Ana Barrados, são muito mais raros ainda.