28/10/11

Gonçalves Dias: "I-Juca Pirama", as origens da nacionalidade brasileira

Gonçalves Dias é o primeiro poeta brasileiro a falar de uma nova raça, valorizando o seu componente indígena que será, como depois também em José de Alencar, o elemento fundador da nacionalidade.
O poema "I-Juca-Pirama" é um conjunto de 10 cantos que parecem conter um projecto épico. O título significa "o que há de ser morto, e é digno de ser morto". O poema está estruturado através da fala-memória de um velho índio sobre a bravura de um jovem descendente da tribo tupi que caiu prisioneiro dos Timbiras, cuja gesta, cantada no seu canto de morte (IV, 15-38), representa a gesta de toda a tribo. O jovem tupi declara a guerra aos timbiras para se mostrar digno de morrer nas suas mãos e esta valentia é o traço característico das figuras ameríndias em Gonçalves Dias. O texto completo pode ser lido aqui

Introdução a Gonçalves Dias e a "I-Juca Pirama":





I-Juca-Pirama em cinema de animação (2011): Curta Metragem de animação baseado no poema homónimo de Gonçalves Dias. Direcção: Elvis K. e Italo Cajueiro; narração: Ruy Guerra (I-Juca),  Roberto Bontempo (Cacique Timbira), Murilo Grossi (Pai do I-Juca); música: João Antônio; sound design: Marcelo Guima; percussão: Pauly di Castro:




Análise de "I-Juca Pirama" por Manoel Neves:


Uma frase repetida pelo velho timbira no canto X reforça a ideia da testemunha ocular que ele foi: "Meninos, eu vi!". Esta frase e o título do poema ficaram célebres quando foram aproveitados em 1985 como nome de personagem na telenovela “O Salvador da Pátria”. Nesta novela, Juca Pirama é um locutor de rádio que denunciava as oligarquias e os traficantes locais e acaba assassinado continuando, assim, a apologia da valentia gonçalvina:


27/10/11

Almeida Garrett: Frei Luís de Sousa. O texto e as adaptações cinematográficas

Aqui poderão aceder ao texto completo do Frei Luís de Sousa e aqui encontrarão um pequeno dossier sobre Garrett e o seu texto dramático mais conhecido.

A primeira adaptação cinematográfica, realizada por António Lopes Ribeiro, teve estreia em Lisboa a 21 de Setembro de 1950 no cinema S. Jorge. Pode ser vista aqui.

No entanto, a adaptação mais recente é de João Botelho, com o título Quem és Tu? (2001). Botelho antepõe à sua reencenação do texto romântico um longo prólogo explicativo, no qual Maria sonha com um D. Sebastião que lhe revela o contexto histórico da Batalha de Alcácer-Quibir:













24/10/11

"Bom Povo Português"

Há 30 anos estreou-se em Lisboa Bom Povo Português, um dos mais premiados e referenciados documentários históricos sobre a situação social e política de Portugal entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. O realizador, Rui Simões, descreve que esta longa-metragem representa o período histórico em questão «tal como ela foi sentida pela equipa que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, actor, participante, mas que, sobretudo, se encontrava totalmente comprometida com o processo revolucionário em curso (PREC)».


Bom Povo Português - 1.ª Parte from Núcleo 70 on Vimeo.



Bom Povo Português - 2.ª Parte from Núcleo 70 on Vimeo.

23/10/11

Filme brasileiro rebenta clichés: "Os Famosos e os Duendes da Morte"

'Os Famosos e os Duendes da Morte', a primeira longa-metragem de Esmir Filho, baseada no romance homónimo de Ismael Caneppele, mostra temas que não estamos habituados a associar com o filme brasileiro: tristeza, depressão, frio, camisolas e gente deprimida, a dançar em bailes de tradição germânica e a ouvir música em inglês. Ler mais aqui.
Um rapaz adolescente, fã de Bob Dylan, tem acesso ao resto do mundo apenas por meio da internet, enquanto vê os dias passarem em uma pequena cidade rural de colonização alemã, no sul do Brasil. Mas uma figura misteriosa o faz mergulhar em lembranças e num mundo além da realidade. O filme já foi premiado em diversos festivais ao redor do mundo.

18/10/11

História do Brasil: Antes do Brasil

O primeiro episódio da série da TV Brasil. "Antes do Brasil - Cabo Frio, 1530" encena a fragilidade das relações humanas na nova terra. Acreditando tratar-se de um francês, um grupo de índios Tupinambás captura o alemão Franz Hassen. E como os franceses são considerados inimigos da tribo Tupinambá, o alemão pode ser devorado pelos índios. A única saída para Franz é convencer Pero Dias, um português ganancioso que vive entre os índios, a desfazer a confusão. A disputa por riquezas naturais e pela honra permeia a história de um povo feito de pessoas muito diferentes.

13/10/11

José de Alencar e a "Iracema"

Breve introdução à Iracema de José de Alencar (fonte: www.globo.com):



Breve resumo de Iracema de José de Alencar (fonte: http://g1.globo.com):




Leitura de um excerto de Iracema por Hertenha Glauce, professora de Teatro da Universidade de Fortaleza (UNIFOR, Ceará, Brasil), que conversa com Amílcar Martins (Universidade Aberta, Lisboa, Portugal):





José de Alencar - "De lá pra cá", programa sobre a figura e a obra do escritor brasileiro, apresentado por Ancelmo Gois e Vera Barroso, na TV BRASIL (http://tvbrasil.org.br/delapraca/):



2.ª parte do programa, na qual se começa a falar de Iracema:




Da série "Mestres da Literatura", produzida pela TV Escola, sobre a vida e obra de José de Alencar:






Adaptação cinematográfica de Iracema, a virgem dos lábios de mel por Carlos Coimbra de 1979:



Iracema - uma transa amazônica é um drama documental de 1976, dirigido por Jorge Bodanzky e Orlando Senna. O filme esteve proibido no país e só foi lançado oficialmente no Brasil em 1981. É a história do impacto nas populações da selva amazônica provocado pela rodovia Transamazônica:

 

11/10/11

IV Encontro Internacional do Conexões Itaú Cultural na Galiza

A Literatura Brasileira hoje. Diálogos Galiza-Brasil – IV Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, que terá lugar no Consello da Cultura Galega em Santiago de Compostela, entre os dias 17-19 de outubro de 2011, é o quarto encontro internacional do programa do Itaú Cultural e o segundo realizado fora do País – o primeiro foi na Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). No Brasil foram realizados os encontros de pesquisadores, tradutores e escritores brasileiros e estrangeiros em São Paulo (2008) e no Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009). Além disso, o Conexões Itaú Cultural já apresentou seu mapeamento internacional da literatura brasileira na instalação da Associação Europeia de Pesquisadores em Brasil (Universidade de Salamanca, Espanha, em 2009), no 10º Congresso Internacional da Brasa (Brazilian Studies Association) (Brasília, em 2010), além de participações no Fórum das Letras 2010 (Ouro Preto-Minas Gerais) ou das edições de 2010 e 2011 na FLIP de Paraty.
Os convidados discutirão sobre as dinâmicas atuais da literatura brasileira e as dificuldades para se inserir nos espaços da crítica e dos mercados internacionais e contrastar essa situação com escritores/as galegos/as homólogos e com críticos
literários, editores, pesquisadores, docentes e tradutores.
A estrutura do encontro será de workshop no Consello da Cultura Galega, iniciando-se na tarde do dia 17 e continuando com sessões de trabalho, entre as 9.30h e as 18h, nos dias 18 e 19.
Para a atividade no Consello da Cultura Galega, o Itaú Cultural convidou escritores/as brasileiros/as com trajetórias amplamente consolidadas e com obras traduzidas em diversos países – Luiz Ruffato, Márcio Souza, Cíntia Moscovich, Marçal Aquino e Marco Lucchesi – e pesquisadores/as internacionais, especialistas brasilianistas – Florencia Garramuño, da Universidade de Santo Andrés, Buenos Aires, Argentina, Leonardo Tonus, da Sorbonne, Paris IV, França, além de Darlene Sadlier, da Universidade de Indiana, EUA. A lista de debatedores se completa com treze escritores, pesquisadores, editores e tradutores de literatura brasileira convidados do Consello da Cultura Galega, da Fundación Cultural Hispano-Brasileña e da Universidade de Santiago de Compostela.
O Programa
A Literatura Brasileira, hoje. Diálogos Galiza-Brasil
IV Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural
(Santiago de Compostela, 17 a 19 de outubro de 2011)
Organização: Itaú Cultural e Consello da Cultura Galega
Parceiros: Universidade de Santiago de Compostela (Vicerreitoria de Estudantes, Cultura e Formación Continua; Cátedra UNESCO de Cultura Luso-Brasileira), Embaixada do Brasil e Fundación Cultural Hispano-Brasileña
Curadores : Claudiney Ferreira (Itaú Cultural), Felipe Lindoso (consultor do Itaú Cultural) e Carmen Villarino Pardo (Univ. de Santiago de Compostela)
PROGRAMAÇÃO E CONVIDADOS
17.10
16h30 – Abertura e Apresentação para a imprensa.
17h30 – 19h30
Conexões Itaú Cultural – A literatura brasileira hoje: Conexões, dentro e fora do Brasil.
Com Claudiney Ferreira, Felipe Lindoso, Carlos Quiroga e Marco Lucchesi
Mediação: Carmen Villarino
18.10
9h30 – 11h30
Descobrindo o Brasil – As pesquisas sobre literatura brasileira e suas ligações com outras disciplinas no âmbito do “Brasilianismo”.
Com Carlos Paulo Martínez Pereiro, Elena Losada, Florencia Garramuño e Darlene Sadlier
Mediação: Leonardo Tonus
12h00 – 14h00
Diálogos de escritores 1.
Escritores brasileiros e galegos/as conversam sobre as condições de produção da literatura e a relação de escritores/as com leitores/as nos dois países

Com Marçal Aquino, Luiz Ruffato, Suso de Toro e Iolanda Zúñiga
Mediação: Felipe Lindoso
16h00 – 18h00
A mediação cultural como diálogo
Com Marco Lucchesi, João Almino, Antonio Maura e Manuel Bragado
Mediação: Márcio Souza
18h15
Entrega da coleção de livros de assunto galego-brasileiro do Servizo de Publicacións da Universidade da Corunha e da Universidade de Santiago de Compostela.
19h30
Lançamento do livro O conto brasileiro contemporâneo.
Editado por Laiovento e organizado por Luiz Ruffato e Carmen Villarino Pardo.
Local: Livraria Couceiro de Santiago
19.11
9h30 – 11h30
As vertentes do ensino de literatura brasileira
Com Pedro Serra, Leonardo Tonus, Florencia Garramuño e Darlene Sadlier
Mediação: Carlos Paulo Martinez Pereiro
12h – 14h
Espaços para a literatura brasileira atual
Com Marçal Aquino, Cíntia Moscovich, Anxo Quintela e Elias Torres
Mediação: Luiz Ruffato
16h – 18h
Diálogos de escritores 2.
Escritores/as brasileiros/as e galegos conversam sobre as condições de produção da literatura e a relação de escritores/as com leitores/as nos dois países

Com Márcio Souza, Cíntia Moscovich, Xavier Queipo e Victor Freixanes
Mediação: Claudiney Ferreira
18h15
Ato de encerramento.

09/10/11

Música popular portuguesa: documentários na RTP 1

"Estranha Forma de Vida" traça, ao longo de 26 programas, o percurso da música popular portuguesa desde a década de 30 até à atualidade, com base no Arquivo da RTP e nos testemunhos de cantoras/es, compositoras/es e produtoras/es. De entre as entrevistas exclusivas, contam-se nomes como os de Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, José Cid, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Pedro Abrunhosa ou Ana Bacalhau. Este primeiro episódio vai dos anos 30 até à atualidade. António Fortuna recorda os cantores da Rádio, a canção de protesto surge pela voz de Fernando Tordo e José Cid dá o seu olhar sobre a censura na música. Os festivais da canção, as novas gerações de fado e as mudanças do rock na década de oitenta com imagens inéditas do arquivo RTP e entrevistas a Tozé Brito, Katia Guerreiro e Zé Pedro. É o primeiro de 26 episódios que passam na RTP 1, quartas-feiras, às 23h45.

05/10/11

O primeiro bestseller sobre o Novo Mundo e a sua adaptação cinematográfica

Hans Staden, um aventureiro e mercenário alemão no século XVI, publicou em 1557 com a História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens, Nus e Cruéis Comedores de Seres Humanos, Situada no Novo Mundo da América (Wahrhaftig Historia und beschreibung eyner Landtschafft der wilden nacketen grimmigen Menschfresser Leuthen in der Newenwelt America gelegen) um dos primeiros bestsellers sobre o Novo Mundo.
Staden recria neste livro as duas viagens que o levaram em 1548 e 1549 ao Brasil, onde, na segunda viagem, foi feito prisioneiro por uma tribo tupinambá no litoral fluminense, que era, na altura, antropófaga.
De facto, o livro representa o primeiro testemunho pormenorizado de antropofagia ameríndia e o relato junto com as ilustrações ajudaram a criar, no imaginário europeu quinhentista, a ideia do Brasil como terra de caníbais.
Através de comentários pios, Staden apresenta-se como uma espécie de Daniel na cova do leão, maltratado por selvagens e salvo devido à fé e às preces em voz alta. O seu valor etnográfico, porém, só se começou a apreciar a partir do século XX.

O seguinte filme de 1999, dirigido por Luiz Alberto Pereira e inspirado no livro de Staden, é um dos poucos na história do cinema em que a língua falada é, de forma predominante, o tupi-guarani:



O editor e tradutor José Bento Renato Monteiro Lobato adaptou o livro de Staden em 1927 para o público infantil e juvenil com o título As aventuras de Hans Staden. Em 2009, a Editora Globo, lançou uma versão em banda desenhada de Denise Ortega e Stil e com ilustrações de Arcon.